A superintendente de atenção à saúde, Maria das Graças Ribeiro, e o diretor Geral do Hospital de Doenças Tropicais (HDT) de Goiás, Boaventura Braz de Queiroz, concederam entrevista coletiva na tarde de 8/3, na sede da Secretaria da Saúde do Estado de Goiás (SES/GO). Os profissionais anunciaram uma série de medidas que foram adotadas, à pedido da titular da pasta, Irani Ribeiro de Moura, com objetivo de erradicar todos os índices de infecção hospitalar que acometeram o Huapa (Hospital de Urgências de Aparecida de Goiânia), em 2009.
Dentre as principais medidas, está a criação de uma comissão composta por quatro infectologistas com grande experiência na área e o mesmo quantitativo de enfermeiros. Todos estes profissionais estiveram na unidade e visitaram as instalações da Unidades de Terapia Intensiva (UTI), centros cirúrgicos, sala de esterilização e enfermarias, para observar quais são as principais lacunas que ainda existem e que contribuem para a infestação e multirresistência de bactérias e germes. Aliado a isso, a equipe que executa a limpeza da unidade foi reforçada com mais seis pessoas que passarão por uma sistemática capacitação.
“Após este estudo, essa recém-criada comissão de infecção irá reavaliar e traçar estratégias para erradicação do atual quadro. Porém, ainda é cedo para falarmos em falhas, tanto que todos os prontuários médicos do ano anterior serão devidamente revistos”, explicou Boaventura Braz.
No entanto nesta primeira visita, o infectologista ressalta que um dos principais pontos que necessitam de adequações é na parte da higienização. “A limpeza vai além de treinamentos e capacitações, ela têm que fazer parte do cotidiano cultural de todos que atuam na área da saúde, a lavagem constante das mãos por exemplo, é uma medida simples, mas que faz toda a diferença no quesito infecção hospitalar”.
A SES/GO teve acesso ao relatório que constata o surto de infecção hospitalar em 29 de dezembro de 2009, mas antes mesmo de receber as informações, várias mudanças já estavam sendo feitas na unidade. “Reduzimos o número de internações de forma gradativa no mês de março, e posteriormente realizamos várias coletas das placas do piso da unidade para observar o ciclo de vida das bactérias existentes no local. Além disso foi providenciada a compra de materiais de proteção individual, como capotes e máscaras”, garante Maria das Graças.
Segundo Boaventura Braz, o momento agora é de capacitação total do corpo clínico da unidade, pois a infecção hospitalar é uma busca permanente por qualidade, é um desafio constante em qualquer hospital, seja ele privado ou público. Com treinamentos constantes, o infectologista garante que haverá um maior rigor nas normas e padrões de higienização.
Com 20 anos de experiência em Infectologia, o diretor-geral do HDT, acredita que houve equívocos na elaboração e na mensuração deste relatório. “As questões numéricas também serão revistas, eu acredito que houve erros metodológicos em sua elaboração, ou seja, numeradores e denominadores que não refletem a atual situação de infecção hospitalar do Huapa", declarou.
Apesar do quadro, não haverá transferência dos pacientes que já estão internados na unidade, são mais de 50 pessoas nos leitos comuns e mais 8 na UTI. Maria das Graças declara que altas médicas precoces podem levar a um agravamento do quadro clínico de qualquer paciente. Enquanto isso, todas as medidas cabíveis estão sendo implementadas desde o ano passado e a SES/GO não medirá esforços para garantir o atendimento e o tratamento da população do município de Goiânia. Porém, até este estudo ser concluído a unidade não receberá mais pacientes.
Fonte: Secretaria de Estado da Saúde de Goiás