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IV Fórum Brasileiro de Aids discutiu o Tabagismo entre os soropositivos e as dificuldades na realização de cirurgias contra Lipodistrofia no Brasil
20/06/2008 18h05


O evento teve discussões sobre lipodistrofia e a dificuldade que o Brasil enfrenta para disponibilizar cirurgias fora da capital paulista. A lipodistrofia caracteriza-se pelas alterações na massa corpórea em pessoas soropositivas. Pode ocorrer aumento de gordura na região do abdômen (gordura central), entre os ombros, em volta do pescoço ou ainda a perda de gordura da pele, mais aparente nos braços, pernas, nádegas e rosto, resultando em enfraquecimento da face, atrofiamento das nádegas e veias aparentes.

75% de sedentarismo. 41% dos soropositivos aderem ao tabagismo, o dobro do que a população geral. Estes foram alguns dos resultados de uma pesquisa com 218 pacientes da Casa da Aids do Hospital das Clínicas de São Paulo. O estudo foi apresentado na tarde de quinta-feira (19/06), durante o IV Fórum Brasileiro de Aids e o II Fórum Brasileiro de Hepatites Virais, em Santos, litoral sul de São Paulo.

“Os índices de sedentarismo não nos permitiram afirmar se esta pode ser umas das causas da lipodistrofia, então, mais estudos com pacientes que fazem atividades físicas são necessários”, disse Sigrid de Sousa dos Santos, médica infectologista do Hospital das Clínicas (HC).

O Estudo divulgado pela Casa da Aids no IV Fórum Brasileiro de Aids faz parte de um projeto, que já dura seis anos, sobre alterações anatômicas e metabólicas em portadores do vírus HIV. Outros centros brasileiros como o Emílio Ribas, CRT, Universidade Federal do Rio de Janeiro e Fiocruz também participam. No total, eles selecionaram para a pesquisa 1700 pacientes.

Os sedentários, nessa pesquisa, são considerados aqueles que praticam menos de 150 minutos de atividade física por semana. Nos 218 pacientes da Casa da Aids, 44% apresentaram alterações anatômicas e metabólicas, sendo a idade média deles de 42 anos de idade.

Hospital de Heliópolis

O Hospital de Heliópolis é referência no estado de São Paulo na realização de cirurgias plásticas e tratamento contra a liposdistrofia. O médico infectologista do local, Herverton Zambrini, apresentou os principais casos e tratamentos do problema que afeta a vida de soropositivos, principalmente a auto-estima.

Depois de ser questionado pelo ativista Hugo Hagström sobre quais estratégias eles usam para incentivar outros locais a realizarem cirurgias, Heverton explicou que o local é aberto para a visita e conhecimento de outros médicos. “Às vezes nem a gente está acostumado a lidar com lipodistrofia e cirurgiões plásticos então, menos ainda”, comentou a dificuldade em formar uma equipe multidisciplinar com um especialista nesta e outras áreas.

O Fórum também discutiu o mito da transmissão de HIV em acidentes cirúrgicos, com materiais cortantes. “Em mais de 100 acidentes no HC, houve uma soroconversão e mesmo assim duvidosa”, disse Sigrid dos Santos. Heverton também lembrou que os riscos são menores do que 1% e por isso essa desculpa de risco de infecção numa cirurgia não é aceitável.

Fonte: Agência de Notícias da Aids

 


 


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