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Guia de Doenças
Cólera
Descrição


O que é: Doença infecciosa intestinal aguda, causada pela enterotoxina do Vibrio cholerae, com manifestações clínicas variadas.  Frequentemente, a infecção é assintomática ou oligossintomática, com diarreia leve. Mas pode se apresentar de forma grave, com diarreia aquosa e profusa, com ou sem vômitos, dor abdominal e cãimbras. Esse quadro, quando não tratado prontamente, pode evoluir para desidratação, acidose, colapso circulatório, com choque hipovolêmico (queda anormal do volume de sangue) e insuficiência renal. A acloridria gástrica (disfunção do sistema gástrico) agrava o quadro clínico da doença. 

Distribuição no Brasil e no mundo: A sétima pandemia de cólera chegou ao Brasil em 1991 e até 2001 atingiu todas as regiões do país, produzindo um total de 168.598 casos e 2.035 óbitos, com registro de grandes epidemias na região Nordeste. Em 1993, ano em que ocorreu o maior número de casos, foram registrados 670 óbitos. Entre 1992 a 1994, ocorreu uma importante redução no número de casos, sendo esta queda acentuada a partir de 1995.

Em 2001, foram registrados sete casos confirmados (quatro no Ceará e um em Pernambuco, um em Alagoas e um em Sergipe). Nos anos de 2002 e 2003 não foram detectados casos no Brasil. No primeiro semestre de 2004, foram registrados 21 casos no município de São Bento do Una, situado no agreste de Pernambuco. No primeiro trimestre de 2005, novos casos foram diagnosticados, no mesmo Estado, sendo quatro em São Bento do Una e um no Recife. Em 2006 foi registrado um caso importado procedente de Angola. Nos anos de 2007 e 2008 não ocorreram registros.

Até 2001, o grupo etário mais atingido foi o de maiores de 15 anos, com predomínio no sexo masculino. Nos anos de 2004 e 2005 este comportamento foi modificado, sendo acometida também a faixa etária abaixo de cinco anos.

Transmissão


Agentes causadores (patógeno e vetores): O Vibrio cholerae 01, biotipo clássico ou El Tor e sorotipos Inaba, Ogawa ou Hikojima e Vibrio cholerae 0 139, também conhecido como Bengal. Trata-se de um bacilo gram-negativo com flagelo polar, aeróbio ou anaeróbio facultativo.

A transmissão ocorre, principalmente, pela ingestão de água contaminada por fezes ou vômitos de doente ou portador. Ocorre ainda pela ingestão de alimentos contaminados por mãos de manipuladores dos produtos, bem como pelas moscas, além do consumo de gelo fabricado com água contaminada. A propagação de pessoa a pessoa, por contato direto, também pode ocorrer.

O período de incubação ocorre desde algumas horas até cinco dias. Na maioria dos casos, de dois a três dias. O período de transmissibilidade é de duração imprecisa. Perdura enquanto há eliminação de Vibrio cholerae nas fezes, o que ocorre, via de regra, até poucos dias após a cura. Para se obter uma margem de segurança, o período aceito como padrão é de 20 dias.

Diagnóstico


Clínico (principais sintomas): Apresenta-se de forma variada, desde infecções inaparentes até diarreia profusa e grave. Podem ocorrer vômitos, dor abdominal e, nas formas graves, câimbras, desidratação e choque. A febre não é comum. Nos casos graves mais típicos (menos de 10% do total), o início é súbito, com diarreia aquosa, abundante e difícil de conter, com inúmeras dejeções diárias. Nestes casos a perda de líquidos pode ser de um a dois litros por hora.

Laboratorial (exames realizados): O Vibrio cholerae pode ser isolado a partir da cultura de amostras de fezes de doentes ou portadores assintomáticos.

Tratamento


A terapêutica se fundamenta na reposição rápida e completa de água e dos eletrólitos (substância que contém carga elétrica) perdidos pelas fezes e vômitos. Os líquidos deverão ser ministrados por via oral ou parenteral, conforme o estado do paciente.

Formas leves e moderadas: Hidratação oral com soro de reidratação oral (SRO).

Formas graves: Hidratação venosa e uso de antibióticos.

Prevenção


As recomendações que seguem são de aplicação geral, tanto para a água e alimentos comprados de vendedores de rua, em postos fixos ou ambulantes, como também para os hotéis ou restaurantes:

Beber somente água fervida ou tratada com água sanitária;
Comer alimentos cozidos e ainda quentes;
Comer frutas que sejam necessário descascar;
Consumir alimentos e bebidas em locais que sigam as normas de higiene;
Não consumir saladas e verduras cruas.

Imunização: O Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde não recomenda a vacinação contra cólera, considerando que as vacinas disponíveis apresentam baixa eficácia e curta duração da imunidade. No entanto, em situações particulares, viajantes com destino à áreas endêmicas com surtos ou epidemias de cólera devem consultar a Organização Mundial da Saúde - OMS (www.who.int). Não é necessária a vacinação de viajantes de outros países que visitarem o Brasil devido à baixa magnitude atual da doença. No entanto, essa recomendação pode ser alterada conforme a situação epidemiológica do momento.

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