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Aprenda a se prevenir das doenças provocadas por fungos, entre elas as micoses
05/02/2010 12h48

Durante o período de verão os cuidados com a pele não devem se limitar apenas as queimaduras provocadas pelo sol. "Cerca de 200 espécies fúngicas conseguiram se adaptar e sobreviver no ambiente do organismo humano e assim, refreando os diversos mecanismos de defesa", segundo o membro do Comitê Científico de Micologia Clínica da SBI, Flavio de Queiroz Telles. Esse dado revela que as infecções ocasionadas por fungos também merecem cuidado especial nos dias mais quentes do ano.

Presentes no ar, na água, na terra e nos alimentos esses micro-organismos também habitam a pele e a mucosas humana (membrana que reveste internamente todas as cavidades do corpo).  Os fungos podem ser divididos, de acordo com a sua forma, em leveduras ou filamentos, conhecidos como bolores.

Para se desenvolver, eles preferem locais com alta umidade e mal higienizados. Dependendo do fungo ou da região afetada, o contágio pode ser superficial ou profundo. A infecção superficial é endêmica, isto é, ocorre quando as condições ambientais (calor, umidade) ajudam na proliferação dos fungos. Já a profunda, em geral oportunista, acomete pessoas que apresentam grave deficiência imunológica.

No verão as micoses são uma das principais doenças causadas por fungos. Elas se manifestam nas regiões mais úmidas do corpo, caso das axilas, virilha e dedos dos pés (micoses de pele) e nas partes genitais, causando corrimentos (micose de mucosas).

Para evitar esse tipo de infecção, Thaís Guimarães, infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia, recomenda às pessoas que passam o dia na praia ou na piscina que após o banho sequem bem as áreas úmidas, principalmente os dedos dos pés. “Se apresentar coceira ou descamação procure um médico para tratamento e evite piscinas públicas”, aconselha.

Outras dicas da médica para evitar o aparecimento das micoses nos pés são: não andar descalço, evitar o uso de calçados fechados e optar por meias de algodão. “As micoses de unha, que  podem ocorrer em qualquer época do ano, necessitam de tratamento prolongado”, acrescenta a especialista. Cuidados com materiais de manicure e no manuseio de terras e animais também são essenciais para prevenção.

Para aqueles que transpiram demais, a doutora recomenda a “não utilização de desodorantes antitranspirantes, já que podem obstruir os poros e causar inflamação de glândulas sudoríparas, gerando aparecimento de furúnculos. É imprescindível lavar as axilas com água e sabão e usar desodorante comum ou talco antisséptico”.

Regiões do corpo humano mais afetadas pela micose

Região Sintomas
Couro cabeludo

Nessa região, a micose é rara em adultos, mas altamente contagiosa em crianças.
Possui forma com áreas arredondadas e com falhas no cabelo, escamação da pele e coceira. 
Requer tratamento por via oral.
A caspa não é uma micose, mas a descamação serve de alimento para o fungo Pityrosporum ovale.

Boca

A levedura Candida albicans, causadora da candidíase, afeta geralmente as mucosas deste local.
A infecção bucal, chamada de sapinho, é comum em bebês, produzindo placas brancas de aspecto cremoso e, muito dolorosas. 

Vagina Na região vaginal, os sintomas são coceira, queimação e secreção branca ou amarelada.

Costas

Micose de praia, nome popular da pitiríase versicolor, é causada pelo fungo Malassezia furfur, um habitante natural da pele.
Apesar do nome, não é na praia que ocorre o contagio desse fungo.
O calor e a oleosidade provocam sua multiplicação e fazem surgir manchas que variam do branco ao castanho, tornando-se mais evidentes com o bronzeamento.

Virilha, dobras, sob as mamas, entre os dedos

Nestes locais, as lesões são de cor avermelhada, com escamação e coceira e costumam ser os sinais das micoses cutâneas superficiais.
São provocadas por uma imensa variedade de fungos e atingem locais que retêm maior calor e umidade.

Pé-de-atleta, ou frieira, costuma causar coceira, descamação intensa, fissuras na pele, inflamação e bolhas nas laterais dos pés e, sobretudo, entre os dedos.
Ela pode abrir caminho para infecções bacterianas.

Unha

Dependendo do tipo de fungo, essa micose pode manifestar-se como um espessamento, deformação ou mudança de coloração da unha.
Às vezes ela fica quebradiça ou se descola do dedo. É uma das mais resistentes.

 Fonte: Revista Saúde/ Abril

Contaminação

Fatores propriamente genéticos não facilitam a contaminação de uma pessoa por fungos. Segundo a infectologista da SBI, Thaís Guimarães, as pessoas com imunodeficiências, ou seja, com câncer; que fazem quimioterapia ou radioterapia; que usam corticoides ou que são transplantados aderem mais frequentemente esses tipos de fungos, onde, nesses casos, podem ser muito graves.

Alimentação e higiene

Com relação aos alimentos, engana-se aquele que acredita que neles não há o surgimento de fungos. “Os principais fatores que acarretam essa proliferação são o mau acondicionamento e conservação dos alimentos”, alerta a especialista.

Para evitar que comidas não perecíveis sejam jogadas fora, acondicione-as em ambiente limpo e seco. Outros como pães, queijos e frios podem ser guardados na geladeira para evitar apodrecimento.

“Caso o alimento esteja contaminado, não o consuma. O mais importante para se fazer é embalá-lo em um saco plástico e jogar fora", aconselha Thaís.

De acordo com a especialista, a higienização da ambientes é igualmente importante. A limpeza deve ser feita sempre com água e sabão. Em superfícies como mesas, pias e pisos frios podem-se passar álcool. “Nunca deixa água parada, lembrando sempre do mosquito da dengue”, enfatiza.

Recomendações

Lave as mãos antes e após as alimentações e também, quando for usar o banheiro;
Higienizar ambientes retirando o pó e lavando superfícies com água e sabão;
Guardar alimentos sob refrigeração e atentar para os prazos de validade;
Secar bem os pés e usar calçados abertos;
Secar roupas, principalmente as íntimas, no sol;
Procurar um médico caso desconfie estar com micose na pele.

Reportagem: Equipe de conteúdo do Portal SBI


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