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Infectologistas dão dicas para curtir um carnaval seguro, longe da gripe H1N1 e de outras doenças infectocontagiosas
11/02/2010 17h25

No período de carnaval o número de turistas que desembarcam nas principais capitais brasileiras aumenta consideravelmente. Rio de Janeiro, por exemplo, estima receber 700 mil pessoas. Já Salvador, que foi apontado pelo jornal The New York Times com um dos 31 destinos do mundo a serem visitados este ano, prevê a chegada de 500 mil foliões.

Dra. Sylvia Lemos Hinrichsen
Dra. Sylvia Lemos Hinrichsen
 

Apesar de toda a movimentação ser bastante positiva para a economia do país, sob o ponto de vista da saúde pública, ela acende um sinal de alerta pela possibilidade de provocar aumento de casos de doenças infectocontagiosas, uma vez que é inevitável a aglomeração de pessoas numa festa popular como essa.

“Este ano, além dos riscos de agravos à saúde, já conhecidos, há toda uma atenção voltada para a possibilidade de ocorrências de gripe A (H1N1) pelo aumento de turistas, principalmente vindos de áreas onde o vírus circula”, comenta Sylvia Lemos Hinrichsen, infectologista e coordenadora do Comitê Científico de Medicina dos Viajantes da SBI.

É o caso do Hemisfério Norte, região que ainda enfrenta o inverno e de onde deve vir muitos turistas para o carnaval brasileiro, conforme ressalta Clarisse Martins Machado, infectologista e membro do Comitê de Influenza e Gripe da SBI. “O vírus H1N1 está circulando em países do Hemisfério Norte e é possível que estes turistas sejam uma fonte para a entrada do vírus no Brasil”, exemplifica a especialista.

Para minimizar a disseminação das doenças no país algumas cidades como Recife, Rio de Janeiro e Salvador contarão com uma força tarefa de profissionais e postos de saúde especiais para atender a população durante os dias de folia, com atenção para casos de H1N1, dengue e DSTs.

Sylvia acredita que não é fácil cuidar da saúde durante esses dias, pois a época faz com que as pessoas esquecem seus problemas e liberam todas as suas emoções. “E se beberem (bebidas alcoólicas) aí é que esquecem tudo mesmo”, ressalta ela ao lembrar que no carnaval “as pessoas passam o dia nas ruas brincando, pulando, bebendo. Comem comida de barraquinhas e só dormem quando sobram alguns minutinhos”. Uma maratona que pode debilitar o corpo e abrir espaço para doenças oportunistas.

Para prevenir as viroses, especialmente às provocadas pelo vírus H1N1, Sylvia diz que continua valendo a simples e conhecida receita amplamente divulgada durante o pico da pandemia de gripe: lavar as mãos com bastante água e sabão.

Dra. Clarisse Martins Machado
Dra. Clarisse Martins Machado
Recomendação compartilhada por Clarisse Machado. “Os cuidados que o indivíduo deve tomar no carnaval são os mesmos preconizados durante uma epidemia: lavar as mãos frequentemente, evitar ambientes fechados e contato com pessoas que estejam apresentando sintomas, não partilhar copos ou beber da mesma garrafa.”

Aqueles que não pretendem cair na folia e preferirem aproveitar a tranquilidade da cidade para ir ao cinema ou shopping também devem se precaver mantendo as mãos sempre limpas, lavando com água e sabonete ou usando álcool gel, recomenda Clarisse. Ela aponta ainda os outros cuidados que todos devem ter: cobrir a boca e nariz com lenço descartável quando tossir ou espirrar; evitar tocar os olhos, boca e nariz com as mãos, e se apresentar sintomas, evitar contato com outras pessoas. “Essas medidas ajudam a diminuir a transmissão da gripe A e de outras viroses respiratórias”.

Como o carnaval costuma atrair principalmente a população jovem, considerada pelo Ministério da Saúde como um dos grupos prioritários para receber a imunização contra a gripe A no Brasil (e que só será iniciada no mês de março, portanto após a folia momesca), Clarisse lembra que as orientações de prevenção para essa faixa etária são as mesmas da população em geral. “Enquanto a vacina não vem, além de lavar as mãos ou usar o álcool gel, evitar o contato com pessoas com sintomas, evitar aglomerações (o que é difícil para quem vai brincar nos blocos de rua ou em clubes). E não compartilhar alimentos e bebidas. Use copos descartáveis ou leve sua própria garrafa plástica”, recomenda.

Sylvia faz questão de lembrar que além dos casos de gripe e resfriados (saiba como diferenciar uma da outra no quadro abaixo), muito comuns nesse período, há outras doenças infectocontagiosas que podem atingir um folião: “as doenças consequentes do ‘beijo na boca’, como o herpes, a citomegalovirose e a mononucleose, além de desidratação (provocada pela perda de líquidos, desgaste físico e exposição ao sol), infecções sexualmente transmissíveis, conjuntivites, intoxicações alimentares e também acidentes/traumas decorrentes do abuso do álcool”, enumera a infectologista.

Previna-se durante a folia
 

Ao destacar “a importância de lembrar constantemente os riscos a que as pessoas estão expostas”, a coordenadora do Comitê de Medicina dos Viajantes da SBI, Sylvia Lemos Hinrichsen aproveita para dar algumas dicas de saúde, que podem ser seguidas não apenas durante o reinado de Momo, mas nos outros dias do ano também.

alimentar-se bem, principalmente com frutas e verduras (ricas em vitamina C), tendo cuidado com a qualidade dos produtos para evitar intoxicações alimentares. 

beber bastante água, sucos, água de coco e prestar atenção para procedência e qualidade dos produtos consumidos. 

ter cuidado com o olho, especialmente quando em risco de danos à córnea provocados por jatos de pistolinhas de água, uma prática muito comum nas ladeiras de Olinda, assim como os beijos na boca, também comum nessa época de grandes aglomerados. 

moderação na ingestão de bebidas alcoólicas, que além de alterar o senso de responsabilidade das pessoas, pode fazer com que elas percam os sentidos, tenham desidratação, relações sexuais sem preservativo e acidentes/traumas.

usar sapatos fechados confortáveis (tipo tênis) e preparar sempre os músculos e as articulações antes da rotina exaustiva de pulos e passos apressados.

não transar sem preservativo o que evitará as infecções sexualmente transmissíveis, a Aids, assim como a gravidez indesejável. Ter sempre camisinha no bolso para não esquecer, caso seja necessário. 

Diferença entre gripe H1N1 e gripe comum
Gripe H1N1 Gripe Comum
Febre alta de início súbito (>=39 º C) Febre inferior a 39º C
Dor de cabeça intensa Dor de cabeça de menor intensidade
Calafrios Calafrios menos comuns
Cansaço extremo Cansaço moderado
Dor de garganta leve Dor de garganta acentuada
Tosse seca e contínua Tosse menos intensa
Muco e catarro pouco comum Muco e catarro mais abundante e intensa congestão nasal
Dores musculares intensas Dores musculares moderadas
Ardor intenso nos olhos Ardor leve nos olhos

Programa de imunização

Clarisse Machado acredita que o sistema de saúde brasileiro está preparado para enfrentar uma segunda onda de gripe A. “No ano passado tivemos alguns problemas devido à desinformação ou informações contraditórias em diversos níveis da assistência. Este ano, espera-se que todos tenham melhores informações e que isso resulte em melhor assistência ao paciente”. Segundo ela, o país está se preparando para a prevenção de grande número de casos através da vacinação e é esperada uma melhor assistência para aqueles que adoecerem.

A estratégia nacional, divulgada recentemente pelo Ministério da Saúde, para enfrentar a gripe A conta com a 83 milhões de doses da vacina para imunização de seis grupos prioritários, que vão além dos parâmetros recomendados pela Organização Mundial de Saúde: trabalhadores dos serviços de saúde, indígenas, gestantes e pessoas com doenças crônicas, crianças entre 6 meses e 2 anos de idade e jovens entre 20 e 29 anos. Somente o Brasil e alguns países como Estados Unidos e Canadá optaram por imunizar estes dois últimos grupos.

Reportagem: Equipe de conteúdo do Portal SBI


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