No Dia Internacional da Mulher (8/3), o documentário “Positivas” foi exibido por duas vezes no Espaço Unibanco de Cinema, na cidade de São Paulo/SP, seguido por um debate mediado pela jornalista Roseli Tardelli. O debate contou ainda com a participação da diretora do filme, Susanna Lira; das personagens Silvia Almeida e Cida Lemos; e da médica infectologista Zarifa Khoury.
Na primeira sessão, às 18h30, o evento reuniu profissionais das áreas da saúde e da comunicação, artistas e outros interessados. Já na segunda exibição, às 20h, a plateia era quase toda formada por mulheres da comunidade de Heliópolis.
O documentário mostra a história de mulheres que foram infectadas pelo HIV em relações estáveis e como elas e seus familiares encararam a vida com a Aids. “Quis colocar de propósito algumas cenas para mostrar que nem sempre é fácil para familiares falarem sobre o tema”, contou Susanna.
“Fiquei assustada quando soube que 64% das mulheres com o HIV contraíram o vírus em relações estáveis, por isso quis dirigir este filme. Se eu fiquei assim, imagine como deve ser para o resto da população”, completou a diretora.
O tema principal da noite foi a falta de autonomia das mulheres em relação aos homens na negociação do uso de preservativos. “Temos que nos reconhecer com direitos e deveres e não usar a camisinha é uma opção de risco mesmo em relações estáveis”, disse Cida Lemos, membro das Cidadãs Posithivas do Rio de Janeiro. “No fundo, o filme também é uma mensagens para os homens”, afirmou Silvia Almeida, também do movimento das Cidadãs.
De acordo com a diretora Susanna Lira, a ideia é levar o filme para festivais e ainda há possibilidade da obra ser exibida no canal pago GNT. “Sugiro mandar uma cópia desse filme para os participantes do Big Brother Brasil. Um caso como aquele repercute muito, a gente que trabalha na ponta sentiu o preconceito”, disse Marta Mcbritton do Instituto Cultural Barong sobre a polêmica criada por um participante do programa sobre as formas de infecção pelo HIV.
Outro assunto comentado na noite foi uma música cantada por Cida Lemos no filme com alguns palavrões junto com outras mulheres. “Faço isso como forma de descontração, nós somos educadas a não reagi, não xingar nada. Às vezes, o ambiente fica tão pesado que é preciso de algo assim, uma música dessas, para extravasar”, disse a ativista.
“Isso (infecção pelo HIV) não acontece, necessariamente, porque alguém é bom ou ruim, mas porque vivemos. O importante é contar essas histórias a outras pessoas”, defendeu Silvia.
Vontade de viver
O público da sessão na noite de 8/3 foi formado por moradores da comunidade de Heliópolis. A maioria destacou principalmente o fato das personagens no filme mostrarem força para vencer o preconceito e “vontade de viver”. “Dificilmente vejo algo assim, quase chorei, principalmente no momento que elas contam como foi descobrir o HIV”, disse Elaine Nunes, auxiliar administrativa.
“Foi ótimo para nos conscientizar e ficar mais atentas”, comentou Silmara da Silva Pontes.
“Não conhecia o que era transmissão vertical e achei o filme bastante interessante. Nem sempre é possível confiar no parceiro”, disse Silvana Santos.
Solange Pinto, da comunidade de Heliópolis, disse que os grupos de moradores na Zona Ssul de São Paulo são unidos, mas ainda sim há problemas. “Temos que enfrentar ainda o preconceito que é muito forte, até mesmo no nosso meio”, afirmou sobre pessoas que assumem sua condição sorológica.
Para saber mais notícias sobre o filme, acesse www.positivasofilme.blogspot.com.
Fonte: Agência de Notícias da Aids